{"id":478,"date":"2022-09-24T18:58:06","date_gmt":"2022-09-24T21:58:06","guid":{"rendered":"https:\/\/balletempaginas.com\/?p=478"},"modified":"2022-09-24T20:35:09","modified_gmt":"2022-09-24T23:35:09","slug":"entrevista-kamila-cidrim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/balletempaginas.com\/en\/entrevista-kamila-cidrim\/","title":{"rendered":"Entrevista: Kamila Cidrim"},"content":{"rendered":"\n<p>Hoje o post \u00e9 superespecial!<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de ficar encantada com a leitura de <em><a href=\"https:\/\/balletempaginas.com\/ballet-metodos-e-corpos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ballet: m\u00e9todos e corpos<\/a><\/em>, fiz v\u00e1rios posts sobre o conte\u00fado do livro no <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/balletempaginas\/\">Instagram<\/a>, o que gerou muito engajamento a respeito do tema discutido no livro: as diferentes metodologias, suas semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as e as consequ\u00eancias de sua aplica\u00e7\u00e3o nos corpos dos bailarinos.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando que todo esse debate gerado revela o interesse dos profissionais da dan\u00e7a em um conte\u00fado t\u00e9cnico aprofundado, resolvi fazer um convite \u00e0 Kamila Cidrim para responder uma entrevista aqui no blog e assim contar sobre suas experi\u00eancias como bailarina e professora, esclarecer seus posicionamentos e ainda revelar seus novos projetos, que j\u00e1 est\u00e3o a todo vapor.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela n\u00e3o apenas aceitou o convite de imediato como descreveu todas as suas viv\u00eancias em detalhes &#8211; eu n\u00e3o poderia ser mais grata por isso! \u00c0 medida que ela respondia, eu me sentia mais pr\u00f3xima e feliz de ter conhecido (virtualmente) essa grande profissional, que, acima de tudo, \u00e9 muito <em>humana<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Se eu fosse voc\u00ea, leria todo esse post. Mas, cuidado: as palavras podem emocionar!<\/p>\n\n\n\n<p>Boa leitura!<\/p>\n\n\n\n<h2>Entrevista com a autora, professora e core\u00f3grafa Kamila Cidrim<\/h2>\n\n\n\n<p>Autora dos livros <em><a href=\"https:\/\/amzn.to\/3BKYNVh\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ballet: m\u00e9todos e corpos<\/a><\/em> e de <a href=\"https:\/\/amzn.to\/3LNHLKH\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Maroca, a Bailaroca<\/em><\/a>, Kamila Cidrim \u00e9 professora e core\u00f3grafa com forma\u00e7\u00e3o pela metodologia inglesa de ballet. Tem cursos de forma\u00e7\u00e3o em Cuba, no <em>Ballet Camaguey,<\/em> e resid\u00eancia no <em>Broadway Dance Center<\/em> em Nova Iorque. Graduada em Design pela UFPE com Especializa\u00e7\u00e3o em Dan\u00e7a Educa\u00e7\u00e3o pela Faculdade Angel Vianna e Mestrado em Educa\u00e7\u00e3o pela <em>Universidad del Atl\u00e1ntico<\/em>. Hoje, atua como professora de ballet e faz parte do corpo docente da primeira P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ensino do Ballet Cl\u00e1ssico do Brasil (Faculdade IDE).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img loading=\"lazy\" width=\"913\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/balletempaginas.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/kamila-cidrim-2-913x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-479\" srcset=\"https:\/\/balletempaginas.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/kamila-cidrim-2-913x1024.jpg 913w, https:\/\/balletempaginas.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/kamila-cidrim-2-267x300.jpg 267w, https:\/\/balletempaginas.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/kamila-cidrim-2-768x862.jpg 768w, https:\/\/balletempaginas.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/kamila-cidrim-2.jpg 1141w\" sizes=\"(max-width: 913px) 100vw, 913px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Ol\u00e1, Kamila! Seja muito bem-vinda!<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, gostaria de te parabenizar pelo livro incr\u00edvel que voc\u00ea escreveu e agradecer por todo apoio que tem dado ao Ballet em P\u00e1ginas.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua publica\u00e7\u00e3o rendeu posts interessant\u00edssimos no <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/balletempaginas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">nosso Instagram<\/a> e agrade\u00e7o imensamente pela oportunidade de divulgar o conte\u00fado de uma obra t\u00e3o enriquecedora para o mundo da dan\u00e7a como a sua. E muito obrigada pela sua presen\u00e7a aqui hoje!<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos \u00e0s perguntas!<\/p>\n\n\n\n<h2>No seu livro <em><a href=\"https:\/\/amzn.to\/3Ssz1fd\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ballet: m\u00e9todos e corpos<\/a><\/em>, voc\u00ea conta que iniciou o ballet cl\u00e1ssico aos 18 anos, considerada para muitos uma idade avan\u00e7ada para a dan\u00e7a. O que te motivou a ingressar no ballet nesse per\u00edodo e como foi essa experi\u00eancia?<\/h2>\n\n\n\n<p>Eu sempre dancei. Dancei na escola e fiz o Bal\u00e9 Popular do Recife, que \u00e9 uma escola de dan\u00e7a popular bem tradicional daqui. Dancei muito frevo. Outras dan\u00e7as populares tamb\u00e9m, como maracatu, xaxado, mas dan\u00e7ava muito frevo e dan\u00e7ava muito na escola tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto fui para o 3\u00ba ano do Ensino M\u00e9dio, eu mudei de escola, onde eu n\u00e3o teria mais dan\u00e7a. A\u00ed n\u00e3o foi nem uma busca minha, foi minha m\u00e3e quem percebeu que eu ficaria sem dan\u00e7ar. Ela foi atr\u00e1s de uma escola de ballet onde a filha de uma amiga dela fazia. De in\u00edcio, n\u00e3o fui fazer ballet. Eu, com meus 16 para 17 anos, pensei: &#8220;<em>n\u00e3o vou entrar numa escola de ballet agora, j\u00e1 sou velha<\/em>&#8220;. Mas, mesmo assim, ela insistiu, disse que era bom eu me manter dan\u00e7ando para ter uma atividade f\u00edsica e eu fui, no 3\u00ba ano de Ensino M\u00e9dio, ano de vestibular.<\/p>\n\n\n\n<p>Por causa dos hor\u00e1rios da escola, eu s\u00f3 fazia um dia de dan\u00e7a, na sexta-feira, que era aula de [ballet] moderno. Comecei fazendo o moderno e eu gostei bastante, porque n\u00e3o era o ballet, eu n\u00e3o sabia nada do ballet. A turma toda estava iniciando, ent\u00e3o n\u00e3o me senti t\u00e3o perdida. Mas, no ano seguinte, eu tinha me envolvido muito com a escola, fiz muitas amizades e j\u00e1 n\u00e3o queria sair mais.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00ed entrei na faculdade, fui cursar Direito (nada a ver, n\u00e9?) e quis continuar na dan\u00e7a. Fui fazer o ballet. A professora do ballet tamb\u00e9m era a professora do moderno, e ela dizia: &#8220;<em>se voc\u00ea fizer ballet, vai melhorar a t\u00e9cnica para o moderno<\/em>&#8220;. A\u00ed, comecei a fazer o ballet tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse ano j\u00e1 teve o Exame da Royal. Era o 5\u00ba grau e eu estava aprendendo as bases do ballet. No in\u00edcio do ano era certo que eu n\u00e3o faria o exame, mas eu botei na minha cabe\u00e7a que eu queria, ent\u00e3o comecei a estudar muito. Procurei livros, conheci o livro de Fl\u00e1vio Sampaio, <em>Bal\u00e9 Passo a Passo<\/em>. Eu li o livro e pedi de anivers\u00e1rio de 18 anos para minha m\u00e3e uma barra no meu quarto. Ela colocou barra e espelho, porque eu treinava muito em casa, tanto a mat\u00e9ria de exame como tudo de ballet. Eu lia muito. Foi um ano bem intenso. Consegui fazer o Exame da Royal e passei. Da\u00ed, no outro ano, continuei [o ballet] e j\u00e1 comecei a dar aula.<\/p>\n\n\n\n<h2>Depois de passar 05 anos aprendendo o ballet pelo m\u00e9todo <em>Royal Academy of Dance<\/em> (RAD), voc\u00ea fez um curso com dura\u00e7\u00e3o de um m\u00eas em Cuba. Como foi a adapta\u00e7\u00e3o da metodologia inglesa para a cubana? Quais foram suas maiores dificuldades como bailarina?<\/h2>\n\n\n\n<p>Eu continuei fazendo ballet pelo m\u00e9todo Royal na escola onde entrei logo de in\u00edcio e comecei a me interessar muito, porque no ano seguinte j\u00e1 fui chamada para dar aula de ballet para crian\u00e7as. Comecei a procurar cursos de professor para saber como era dar aula, enfim.<\/p>\n\n\n\n<p>Querendo ou n\u00e3o, fui avan\u00e7ando um pouco r\u00e1pido, porque quando a gente come\u00e7a a ensinar, a gente acaba aprendendo mais para a gente tamb\u00e9m. \u00c9 interessante como a gente vai trazendo para o nosso corpo tamb\u00e9m enquanto bailarino. Chegou um momento que a minha turma, que era a mais adiantada da escola, j\u00e1 n\u00e3o era suficiente. Eu queria uma aula mais adiantada.<\/p>\n\n\n\n<p>Minha professora tamb\u00e9m dava aula em outro espa\u00e7o, onde era m\u00e9todo cubano. Ela me disse: &#8220;<em>o professor de l\u00e1 est\u00e1 juntando um grupo para fazer um curso em Cuba, voc\u00ea tem interesse?<\/em>&#8220;. Ela sabia que eu sempre estava estudando. Respondi: &#8220;<em>l\u00f3gico que eu tenho interesse! Quero ir para Cuba<\/em>&#8220;. Ent\u00e3o, ela sugeriu que eu fizesse aula com o professor [da outra escola] para pegar o ritmo da aula cubana (que era mais adiantado do que onde eu treinava a Royal) e tamb\u00e9m pelas diferen\u00e7as que eu iria encontrar. L\u00e1 por outubro, comecei a fazer aula com ele e j\u00e1 senti uma grande diferen\u00e7a. Na \u00e9poca, eu n\u00e3o sabia precisar se a diferen\u00e7a era o n\u00edvel da aula, porque eu estava fazendo aula mais adiantada, ou se eram por quest\u00f5es metodol\u00f3gicas mesmo. Eu tive um grande impacto com nomenclaturas. O que para mim era <em>primeira<\/em>, para eles era <em>preparat\u00f3ria<\/em>; o que para mim era <em>bras bas<\/em>, para eles era <em>primeira<\/em>, ent\u00e3o tive esse primeiro impacto das nomenclaturas. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 t\u00e9cnica em si, eu considerava que [a diferen\u00e7a] era o n\u00edvel t\u00e9cnico da aula [cubana] e eu fazia uma aula menos adiantada.<\/p>\n\n\n\n<h2>Voc\u00ea teve a oportunidade de conhecer pessoalmente o criador do m\u00e9todo cubano de ballet, Fernando Alonso. No livro, voc\u00ea menciona que dele ouviu hist\u00f3rias &#8220;<em>bem diferentes das encontradas nos livros e DVDs<\/em>&#8220;. Conte uma dessas hist\u00f3rias para a gente.<\/h2>\n\n\n\n<p>Pol\u00eamica (risos). Quando a gente foi para Cuba, fomos em 5 bailarinos fazer aula no Ballet de Camag\u00fcey. O Ballet de Camag\u00fcey foi criado por Fernando Alonso tamb\u00e9m. Ele j\u00e1 n\u00e3o morava mais em Camag\u00fcey, j\u00e1 estava muito velhinho, com 92 ou 93 anos de idade na \u00e9poca, e morava em Havana. Quando terminou o curso em Camag\u00fcey, a gente foi \u00e0 Havana e um dia foi conhecer ele (ele queria saber quem eram as brasileiras que estavam fazendo curso em Camag\u00fcey). A gente passou uma tarde na casa dele, tomando caf\u00e9 e conversando. Ele falou um monte de coisas para a gente enquanto bailarina, coisas lindas, inclusive da vida dele enquanto bailarino, e contou um pouco da hist\u00f3ria dele.<\/p>\n\n\n\n<p>O que eu digo que \u00e9 um pouco diferente \u00e9 que voc\u00ea encontra muitos lugares falando que a criadora do m\u00e9todo cubano foi a Alicia [Alonso], quando na verdade quem arquitetou tudo foi o Fernando Alonso. Ele foi a Miami, passou um tempo l\u00e1, e come\u00e7ou a analisar a quest\u00e3o da diferen\u00e7a dos corpos. Ele fala disso com muita propriedade. Quando ele voltou, ele tinha um relacionamento com a Alicia e come\u00e7ou a treinar tudo enquanto professor, botar em pr\u00e1tica com ela. L\u00f3gico que existe uma parceria, mas as pessoas d\u00e3o muito os cr\u00e9ditos a ela, quando na verdade foi muito mais ele, pelas hist\u00f3rias que ele contou para a gente. Nos livros, \u00e9 muito mais citada a Alicia, quando na verdade foi ele quem fez ela. Foi ele quem treinou ela. Foi ele quem construiu junto com ela o Ballet Nacional de Cuba. Depois, ele foi a Camag\u00fcey e l\u00e1 abriu outro ballet. Era interessante que os bailarinos do Ballet de Camag\u00fcey tinham menos condi\u00e7\u00f5es, porque o Ballet de Camag\u00fcey n\u00e3o recebia muito incentivo financeiro do governo. A estrutura do Ballet de Havana \u00e9 incr\u00edvel: salas de gin\u00e1stica, muito material para treino, salas grandes de ballet, v\u00e1rias salas. Em Camag\u00fcey, era bem pobrezinha mesmo. A estrutura era bem mais dif\u00edcil do que no Ballet Nacional, mas a forma\u00e7\u00e3o de bailarinos em Camag\u00fcey \u00e9 incr\u00edvel. Muitas vezes, os contratados para a Cia do Ballet Nacional v\u00eam de Camag\u00fcey. As pessoas com que conversamos l\u00e1 diziam que isso tem muito a ver com o fato de Fernando Alonso ter ficado muito [tempo]dentro do Ballet de Camag\u00fcey. Do [Ballet] Nacional de Cuba ele se afastou mais rapidamente. Se dizia que a base t\u00e9cnica do m\u00e9todo cubano estava no Ballet de Camag\u00fcey.<\/p>\n\n\n\n<h2>Muitos professores afirmam que a metodologia cubana \u00e9 a mais adequada para ser ensinada no Brasil. Voc\u00ea concorda?<\/h2>\n\n\n\n<p>Eu n\u00e3o sei se concordo exatamente. Primeiro de tudo, o brasileiro n\u00e3o tem um corpo muito definido. A gente encontra muitas pessoas com o biotipo russo. Aqui em Recife, dando aula, j\u00e1 tive algumas alunas com esse estere\u00f3tipo. Ao mesmo tempo, a gente tem outros corpos. O m\u00e9todo cubano foi muito pensado nessa diferen\u00e7a de corpo. Eu acredito que, particularmente, dando aula, eu penso mais no que cada m\u00e9todo pode me ajudar para coisas espec\u00edficas. Por exemplo: os exerc\u00edcios e a forma de conduzir a aula do m\u00e9todo cubano realmente ajudam muito na t\u00e9cnica para sustenta\u00e7\u00e3o e for\u00e7a no giro. Eu, enquanto bailarina, me senti girando mais quando comecei a fazer m\u00e9todo cubano. J\u00e1 para ad\u00e1gio, o trabalho do [m\u00e9todo] russo \u00e9 incr\u00edvel. Ent\u00e3o, eu penso muito no que vai ajudar os meus bailarinos. A quest\u00e3o corporal eu vejo como uma consequ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Inclusive, meu livro surgiu de um trabalho de TCC, da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, pensando nisso. O nome do livro ficou <em><a href=\"https:\/\/amzn.to\/3Ssz1fd\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ballet: m\u00e9todos e corpos<\/a><\/em>, mas no meu TCC era um nome enorme, algo como <em>M\u00e9todos ingl\u00eas, russo e cubano: diferen\u00e7as metodol\u00f3gicas e suas interfer\u00eancias nos corpos dos bailarinos praticantes<\/em>. Por qu\u00ea? Porque fazendo uma aula dentro daquele m\u00e9todo voc\u00ea chegava a um tipo de trabalho f\u00edsico. Eu n\u00e3o penso muito no caminho inverso: &#8220;<em>porque eu tenho o corpo assim eu s\u00f3 posso fazer aula dentro de certa metodologia<\/em>&#8220;. Eu acredito que todos os m\u00e9todos podem ajudar para alguma coisa. \u00c9 l\u00f3gico que \u00e9 interessante a gente se definir em um m\u00e9todo, mas, dando aula, muitas vezes eu falo de tr\u00eas. Por exemplo: &#8220;<em>vamos fazer os arabesques. No russo \u00e9 assim, no cubano \u00e9 assim<\/em>&#8220;. Na mesma aula, eu falo &#8220;<em>rise<\/em>, <em>elev\u00e9<\/em>&#8220;, para que meus bailarinos, quando chegarem num lugar e escutarem um professor falando <em>rise<\/em>, eles saibam que \u00e9 para fazer um <em>elev\u00e9,<\/em> e se escutarem <em>elev\u00e9,<\/em> eles saberem que \u00e9 a mesma coisa que <em>rise<\/em>. Eu penso em como os m\u00e9todos podem me ajudar em cada coisa espec\u00edfica, e n\u00e3o simplesmente &#8220;<em>porque os corpos s\u00e3o assim, vou dar tal m\u00e9todo<\/em>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img loading=\"lazy\" width=\"832\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/balletempaginas.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/kamila-cidrim-832x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-480\" srcset=\"https:\/\/balletempaginas.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/kamila-cidrim-832x1024.jpg 832w, https:\/\/balletempaginas.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/kamila-cidrim-244x300.jpg 244w, https:\/\/balletempaginas.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/kamila-cidrim-768x945.jpg 768w, https:\/\/balletempaginas.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/kamila-cidrim.jpg 1040w\" sizes=\"(max-width: 832px) 100vw, 832px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2>A metodologia Vaganova \u00e9 a \u00fanica que adota sequ\u00eancias de <em>port de bras<\/em> bem definidas e ensinadas de forma gradativa. Em seu livro, antes dessa informa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, voc\u00ea afirma que &#8220;<em>\u00e9 atrav\u00e9s do <\/em>port de bras<em> que se sabe quando o bailarino teve uma boa escola<\/em>&#8220;. Voc\u00ea considera, ent\u00e3o, a metodologia russa a mais completa &#8211; e que forma melhores bailarinos?<\/h2>\n\n\n\n<p>O m\u00e9todo Vaganova tem sequ\u00eancias de <em>port de bras<\/em> bem definidas, baseadas no que ela [Agrippina Vaganova] queria atingir com os bailarinos dela. Quando eu falo que se v\u00ea quem tem uma boa escola atrav\u00e9s de um <em>port de bras<\/em> \u00e9 pelo trabalho do bra\u00e7o realmente. Para quem vai estudando os m\u00e9todos e as diferen\u00e7as, voc\u00ea vai vendo muito resultado e voc\u00ea consegue perceber, pelo menos j\u00e1 debati isso com algumas pessoas, se aquele bailarino \u00e9 formado numa metodologia russa, numa francesa, numa cubana, num Royal, porque existem caracter\u00edsticas que s\u00e3o passadas daquilo. Mas o que diz que ele tem uma boa escola \u00e9: se voc\u00ea olha para o bailarino e voc\u00ea faz &#8220;<em>eita, bem bracinho de Royal<\/em>&#8220;, significa que ele teve um bom ensino dentro da Royal. Se voc\u00ea olha e diz &#8220;<em>eita, <\/em>port de bras<em> bem russinho ali<\/em>&#8220;, significa que ele teve uma boa escola. Ent\u00e3o, eu acho que o <em>port de bras<\/em> \u00e9 algo que mostra que o bailarino teve uma boa escola. Eu tenho um fato que ilustra o que eu quero dizer. Quando fui para Nova Iorque, passei seis meses l\u00e1, eu j\u00e1 tinha os tr\u00eas m\u00e9todos. Foi l\u00e1 que conheci o m\u00e9todo Cecchetti. Quando cheguei em Nova Iorque, fiz aula na <em>Broadway Dance Center<\/em>, e tinha v\u00e1rios professores de m\u00e9todos diferentes. Uma delas, Natalya Stavro, foi bailarina russa, dan\u00e7ou no Kiev. Ela j\u00e1 era idosa, foi formada pela escola Vaganova. Eu me lembro que eu estava l\u00e1, na minha, fazendo aula. Pessoas circulam o dia todo l\u00e1, ent\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil o professor decorar algum aluno. A\u00ed, eu fazendo minha barrinha, ela passou por mim, olhou, ficou olhando para os meus bra\u00e7os e fez: &#8220;<em>voc\u00ea estuda m\u00e9todo Vaganova<\/em>?&#8221;. Eu balancei a cabe\u00e7a dizendo que sim e continuei fazendo. Ela disse: &#8220;<em>d\u00e1 para ver que voc\u00ea teve uma \u00f3tima professora<\/em>&#8220;. (Contei para minha professora e ela ficou se achando &#8211; risos). Por que ela disse isso? Ela viu que minha movimenta\u00e7\u00e3o estava de acordo com o que o m\u00e9todo pede. Ela olhou e fez &#8220;<em>essa da\u00ed estudou m\u00e9todo Vaganova<\/em>&#8220;. Ent\u00e3o, \u00e9 isso o que eu quero dizer: voc\u00ea olhou para a pessoa e sabe que ela teve uma boa escola pelo <em>port de bras<\/em> que ela fez. Independentemente de qual foi a escola e de qual foi o m\u00e9todo daquela escola, voc\u00ea consegue identificar que ela teve uma boa forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2>No seu livro, voc\u00ea afirma que parou de se definir dentro de uma metodologia. Voc\u00ea mant\u00e9m esse posicionamento? Por qu\u00ea?<\/h2>\n\n\n\n<p>Eu mantenho isso, mas de uma forma espec\u00edfica. Por exemplo: hoje, eu estou com uma vida de professora bem reduzida, por outras \u00e1reas que eu tamb\u00e9m trabalho, ent\u00e3o onde dava aula (e quando tive meu est\u00fadio de dan\u00e7a tamb\u00e9m) era muito misturado, at\u00e9 n\u00edvel de idade. Eu dava aula para muitos n\u00edveis t\u00e9cnicos diferentes. Eu sa\u00eda separando na barra quem era de qual n\u00edvel para visualizar bem. Eu dou aula nesse esquema, ent\u00e3o eu procuro dar tudo aos meus alunos, porque eles n\u00e3o v\u00e3o ficar comigo. Isso \u00e9 certo. Eles est\u00e3o passando por mim e v\u00e3o embora e espero que voem. Ent\u00e3o eu preciso que, quando forem a uma aula russa, eles saiam entendendo, que eles cheguem l\u00e1 e n\u00e3o fiquem perdidos. Se eles forem para uma aula cubana, que n\u00e3o fiquem perdidos. Se forem fazer uma aula Royal, que n\u00e3o fiquem perdidos. Por isso que mantenho esse posicionamento. Por\u00e9m, eu dei aula numa escola que dizia &#8220;<em>nossa metodologia \u00e9 Vaganova<\/em>&#8220;, ent\u00e3o eu segui exatamente a metodologia Vaganova. Dei aula em outra escola que dizia &#8220;<em>aqui a gente segue Royal<\/em>&#8220;, ent\u00e3o vamos para Royal.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, eu trabalho com escola de ensino regular, tem ballet bem certinho [separado] por idade, duas vezes na semana para crian\u00e7a. Eu consigo seguir um programa. Eu sigo Royal, principalmente para as crian\u00e7as, porque para crian\u00e7a \u00e9 a que mais atrai realmente, a que mais incentiva, estimula; a crian\u00e7a gosta, se diverte mais. Por\u00e9m, chega num ponto que come\u00e7o a fazer umas coisinhas que eu acho que s\u00e3o v\u00e1lidas do m\u00e9todo Vaganova, outras eu vou falando do m\u00e9todo cubano. Eu tenho alunas que fazem ballet na escola e fazem ballet em academia, ent\u00e3o eu preciso sempre dizer que n\u00e3o \u00e9 que eu estou errada nem que outra professora est\u00e1 errada, n\u00f3s estudamos m\u00e9todos diferentes. Eu preciso ter essa conversa sempre. Por isso que eu me defino um m\u00e9todo certo, mas eu sempre digo sobre esses tr\u00eas [russo, ingl\u00eas e cubano], que foram as que eu mais estudei. Cecchetti eu vivenciei muito como bailarina, mas n\u00e3o estudei tanto, por isso sempre falo desses tr\u00eas , e sempre deixo claro que eles poder\u00e3o encontrar outras coisas. Isso n\u00e3o quer dizer que eu estou errada nem que os outros professores est\u00e3o errados, e sim que existem m\u00e9todos diferentes de ballet. Ent\u00e3o, a minha realidade \u00e9 essa. Mas, se eu for dar aula numa escola que trabalha m\u00e9todo cubano, eu vou pegar o programa da escola e me adequar. Tenho que me controlar para n\u00e3o falar <em>primeira<\/em> quando \u00e9 <em>preparat\u00f3ria<\/em> nem <em>preparat\u00f3ria<\/em> quando \u00e9 <em>primeira<\/em>. Eu me adequo \u00e0 escola, mas na minha realidade, das turmas que eu tenho, que n\u00e3o fazem parte de uma escola espec\u00edfica, eu busco mostrar o m\u00e1ximo que eu puder para que quando saiam de mim n\u00e3o estejam perdidos.<\/p>\n\n\n\n<h2>H\u00e1 professores de dan\u00e7a que afirmam que o ideal \u00e9 seguir apenas um m\u00e9todo de ballet cl\u00e1ssico, de modo a n\u00e3o interromper a evolu\u00e7\u00e3o do trabalho t\u00e9cnico. No entanto, sabe-se que no Brasil dificilmente se faz uma aula com uma metodologia pura, ou seja, numa aula que seria RAD o professor ensina o <em>pass\u00e9<\/em> de acordo com a metodologia russa, por exemplo. Como professora, o que pensa sobre isso?<\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito dif\u00edcil ter professores que ensinem a metodologia pura. Hoje em dia eu acho muito mais f\u00e1cil encontrar quem \u00e9 da Royal, porque a Royal tem muito cursos, ent\u00e3o a gente consegue ter mais uma forma\u00e7\u00e3o e seguir aquilo. E [o m\u00e9todo] Vaganova \u00e9 mais [acess\u00edvel] quando a gente consegue ir para Joinville, onde tem cursos do Bolshoi, ou com algumas pessoas que v\u00e3o dando cursos e viajam pelo Brasil, mas eu acho mais dif\u00edcil de encontrar [m\u00e9todo Vaganova] do que um Royal, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 mais dif\u00edcil ainda encontrar quem d\u00ea aula puramente cubana. Aqui em Recife eu tinha esse professor (que j\u00e1 nem mora mais aqui) e uma outra cubana que veio morar aqui em Caruaru. Ela tem escola, e de vez em quando dava curso para professor tamb\u00e9m. S\u00f3 eles dois. Quero dizer, tem uma outra escola que d\u00e1 aula de m\u00e9todo cubano, mas eles n\u00e3o s\u00e3o propriamente cubanos, eles fizeram uma forma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m. Acho que s\u00e3o s\u00f3 esses tr\u00eas aqui por Recife. Ent\u00e3o, eu acho que \u00e9 dif\u00edcil a gente encontrar um m\u00e9todo puro realmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu acho importante que o bailarino tenha uma forma\u00e7\u00e3o dentro do m\u00e9todo, porque \u00e9 como eu disse, \u00e9 pelo <em>port de bras<\/em> que a gente v\u00ea se ele teve uma boa escola. A gente olha e sabe que aquele bailarino foi treinado dentro de um m\u00e9todo, dentro de uma escola, dentro de um ensino que tem uma progress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A gente consegue ver; voc\u00ea v\u00ea ele fazendo aula e j\u00e1 sabe qual o n\u00edvel dele, o que ele j\u00e1 aprendeu, para onde ele est\u00e1 indo, de que forma ele vai chegar l\u00e1. Voc\u00ea consegue tirar muitas informa\u00e7\u00f5es s\u00f3 de olhar, se for um bailarino que tem uma boa escola realmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu j\u00e1 tive a experi\u00eancia de ver bailarinas que mudaram de uma escola para outra, sempre de escolas boas de dan\u00e7a, por\u00e9m mudando de m\u00e9todo. Isso confunde um pouco e acaba criando v\u00edcios. Eu j\u00e1 vi muitos bailarinos com v\u00edcios de bra\u00e7os muito mais baixos por causa de m\u00e9todo Royal &#8211; eu mesma era uma. Quando eu tentava fazer coisas em m\u00e9todo Vaganova, <em>port de bras<\/em>, piruetas e etc., estava em desacordo, n\u00e3o estava dentro do que o m\u00e9todo pede. Isso pode confundir um pouco o bailarino realmente. Eu acho importante o bailarino ter uma forma\u00e7\u00e3o dentro de um m\u00e9todo, mas infelizmente \u00e0s vezes a gente tem que andar conforme as coisas acontecem na nossa realidade. Hoje \u00e9 muito dif\u00edcil a gente encontrar uma escola que tenha professores que sejam puramente daquele m\u00e9todo.<\/p>\n\n\n\n<h2>Recentemente foi criado o M\u00e9todo Brasileiro de Ballet (MBB), que ainda \u00e9 pouco conhecido. Na sua opini\u00e3o, o Brasil deve seguir uma metodologia pr\u00f3pria de ensino de ballet?<\/h2>\n\n\n\n<p>Sobre o M\u00e9todo Brasileiro de Ballet: eu n\u00e3o sei muito o que falar porque eu n\u00e3o conhe\u00e7o. Eu nunca li nada mais a fundo nem fiz curso sobre o m\u00e9todo. Enfim, eu n\u00e3o tenho muito o que falar. Sobre a segunda parte da pergunta, se o Brasil deveria seguir um m\u00e9todo, eu acho que \u00e9 uma conversa muito extensa. Para se chegar a ter um m\u00e9todo \u00e9 necess\u00e1rio estudar muito, preparar muito. Hoje em dia a gente j\u00e1 tem muitos m\u00e9todos. A pr\u00f3pria Royal surgiu da an\u00e1lise de 4 m\u00e9todos. A gente teria muita coisa para analisar para se chegar e dizer que \u00e9 um m\u00e9todo diferente, que tem alguma coisa diferente. Ent\u00e3o, eu realmente n\u00e3o sei do M\u00e9todo Brasileiro de Ballet. N\u00e3o sei como foi criado, realmente \u00e9 uma coisa que eu n\u00e3o tenho conhecimento pra eu poder falar, ent\u00e3o eu vou deixar sem resposta. Para se chegar num m\u00e9todo pr\u00f3prio a gente tem muito caminho pela frente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"776\" src=\"https:\/\/balletempaginas.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/kamila-cidrim-3-1024x776.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-481\" srcset=\"https:\/\/balletempaginas.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/kamila-cidrim-3-1024x776.jpg 1024w, https:\/\/balletempaginas.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/kamila-cidrim-3-300x227.jpg 300w, https:\/\/balletempaginas.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/kamila-cidrim-3-768x582.jpg 768w, https:\/\/balletempaginas.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/kamila-cidrim-3.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2>Vamos falar um pouco sobre sua experi\u00eancia como escritora. Tem algo sobre esse processo de escrita que voc\u00ea gostaria de compartilhar? Quais foram suas maiores dificuldades ao escrever um livro t\u00e9cnico de dan\u00e7a?<\/h2>\n\n\n\n<p>Eu escrevo muito desde pequena, desde crian\u00e7a. Quando eu era pequena, eu tinha cole\u00e7\u00f5ezinhas que eu criava de hist\u00f3rias infantis. Algumas editoras j\u00e1 quiseram publicar, mas na \u00e9poca eu achava que era p\u00e9ssimo. Eu n\u00e3o queria que desse nada meu porque eu dizia:&nbsp; &#8220;<em>\u00e9 muito ruim!<\/em>&#8220;, quando pequena.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, sempre gostei muito de escrever. Muito, muito. Pensei at\u00e9 em fazer o vestibular para os cursos de Letras, Jornalismo, porque realmente eu sempre gostei muito de escrever e sempre tive muitos escritos. Sempre que eu estou estudando conte\u00fado ou alguma coisa, fa\u00e7o muitas coisas escritas em resumo. Eu saio escrevendo, saio juntando refer\u00eancias e tal, mas sempre tudo muito para mim; inclusive, eu tenho v\u00e1rias coisas aqui guardadas que v\u00e3o virar um texto, alguma coisa, porque eu guardo muito para mim.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo para o livro mais t\u00e9cnico de ballet foi porque foi o meu processo pessoal daquele momento. Esse livro, especificamente, n\u00e3o foi nada que eu comecei a escrever por prazer, porque eu estava gostando e queria escrever, n\u00e3o. Eu precisava realmente escrever para um Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso (TCC).<\/p>\n\n\n\n<p>Eu lembro que, na \u00e9poca, eu estava envolvida com a quest\u00e3o da dan\u00e7a na escola, no contexto escolar, que \u00e9 outra coisa que eu sou apaixonada. Eu pensei em escrever sobre isso, mas enquanto bailarina as minhas maiores descobertas naquele momento estavam nesse \u00e2mbito a\u00ed dos m\u00e9todos.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu acho que at\u00e9 falo isso no livro: conversando com amiga, que acabou sendo minha coorientadora, ela fez: &#8220;<em>por que tu t\u00e1 escrevendo sobre dan\u00e7a na escola nesse momento, j\u00e1 que o que est\u00e1 mais te inquietando \u00e9 essa quest\u00e3o dos m\u00e9todos?<\/em>&#8220;, ent\u00e3o, eu parei e fiz, &#8220;<em>poxa, \u00e9 mesmo<\/em>&#8221; e comecei a escrever para o TCC, pensando muito nisso.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca, para fazer o TCC, eu poderia ter feito de diversos formatos. A P\u00f3s era em Dan\u00e7a, e normalmente a \u00e1rea art\u00edstica \u00e9 mais livre no formato da escrita. Mas eu quis fazer bem assim certinho, dentro de ABNT. Eu escolhi esse formato, porque minha gradua\u00e7\u00e3o foi em Design e eu j\u00e1 n\u00e3o tinha tido essa experi\u00eancia de fazer dentro de normas t\u00e9cnicas, dentro de como \u00e9 uma pesquisa cient\u00edfica. Ent\u00e3o, eu quis fazer para ter essa experi\u00eancia na P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Foi meio que juntando todas essas quest\u00f5es: eu queria fazer um TCC mais t\u00e9cnico, mais dentro de um projeto de pesquisa mesmo acad\u00eamico, e eu estava muito envolvida mesmo nessa quest\u00e3o das t\u00e9cnicas. Na \u00e9poca, eu estava dan\u00e7ando muito, muitas aulas em escolas diferentes, vivenciando m\u00e9todos diferentes, ent\u00e3o eu estava vivenciando muito isso. Eu acabei indo para esse assunto e acabou que surgiu o texto e ficou l\u00e1. Ficou l\u00e1 meu TCC encadernadinho, entreguei.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim. Algumas pessoas me pediam, quando eu dizia sobre o que falei. Eu tirava xerox e mandava o PDF para a pessoa. Tenho amigas que t\u00eam esse PDF do meu TCC. Um belo dia, acho que uns 5 anos depois, l\u00e1 por 2016, 2017, eu transformei ele no formato de livro. Fiz: &#8220;<em>poxa, eu devia organizar ele para ficar bonitinho como um livro<\/em>&#8220;. Mas eu tinha vergonha de postar, eu nunca achava que estava bom. Eu sempre achava que eu tinha que melhorar mais, que eu tinha que rever toda a bibliografia e tal. E a\u00ed, quando foi ano passado, uma amiga minha puxou a minha orelha e fez: &#8220;<em>que absurdo, seu TCC \u00e9 massa, tu devia publicar<\/em>&#8220;. A\u00ed, eu peguei o arquivo, que j\u00e1 estava pronto, a capa, que j\u00e1 estava pronta h\u00e1 muitos anos tamb\u00e9m, e simplesmente fiz: <em>&#8220;sabe de uma coisa<\/em>?&#8221;. A\u00ed eu reli numa noite e publiquei.&nbsp; Na loucura mesmo, fui e publiquei. E l\u00f3gico que bateu todo um receio de &#8220;<em>meu Deus do c\u00e9u, eu n\u00e3o devia ter feito isso. Tem muita coisa t\u00e9cnica que j\u00e1 pode estar ultrapassada<\/em>&#8220;. Mas a\u00ed eu fiz: &#8220;<em>n\u00e3o, aqui est\u00e1 deixando bem claro que ele foi escrito em 2012<\/em>&#8220;. Por mais que eu esteja publicando agora, poderia ter feito mais revis\u00e3o, mas eu quis deixar o texto que foi escrito. E enfim, foi isso assim. O processo foi mais ou menos esse.<\/p>\n\n\n\n<h2>Livros sobre m\u00e9todos de ballet cl\u00e1ssico ainda s\u00e3o raros, especialmente no Brasil. No entanto, h\u00e1 muito interesse de professores e bailarinos de conhecer as diversas metodologias. Na sua opini\u00e3o, por que a conta n\u00e3o fecha?<\/h2>\n\n\n\n<p>Eu acho que a conta n\u00e3o fecha por esse mesmo receio que eu tive. Eu acho que a gente \u00e9 t\u00e3o limitado no acesso aos m\u00e9todos que a gente tem receio de escrever alguma coisa e estar falando besteira. Por exemplo: eu nunca fui a Londres, ent\u00e3o eu n\u00e3o fui l\u00e1 ver a metodologia Royal acontecendo. Eu nunca fui \u00e0 R\u00fassia tamb\u00e9m. A gente fica nesse receio. No meu livro, fa\u00e7o quest\u00e3o de dizer que s\u00e3o as <em>minhas<\/em> experi\u00eancias, s\u00e3o as coisas que <em>eu<\/em> fui aprendendo na sala de aula, como o <em>meu<\/em> corpo sentia e o que <em>eu<\/em> pude encontrar de refer\u00eancia bibliogr\u00e1fica, o que <em>eu<\/em> pude encontrar de literatura para fazer esse contraponto do que <em>eu<\/em> vi em sala de aula com os meus professores (que tamb\u00e9m aprenderam com outros professores, que n\u00e3o foram ao lugar [de origem] onde est\u00e1 a t\u00e9cnica daquele m\u00e9todo). \u00c9 um estudo. \u00c9 talvez um primeiro estudo mais detalhado da gente aqui no Brasil. Geralmente, quando se fala dos m\u00e9todos, todo mundo fala mais da parte hist\u00f3rica, que \u00e9 mais f\u00e1cil de encontrar. Mas eu fui para o lado da t\u00e9cnica de cada m\u00e9todo. Eu acho que as pessoas n\u00e3o v\u00e3o por a\u00ed por esse mesmo receio que eu tive (que deixou o livro guardado por 10 anos). Eu acho que existe esse receio porque a gente sabe que a gente n\u00e3o tem acesso de forma t\u00e3o aprofundada &#8211; e quem tem [acesso] n\u00e3o escreve. Fico danada com isso (risos). A gente tem pessoas que v\u00eam da R\u00fassia e trabalham no Bolshoi em Joinville. A gente tem grandes mestres no Brasil, mas que n\u00e3o escrevem. \u00c9 muito dif\u00edcil a gente ver um livro que foi escrito aqui que fale do m\u00e9todo nas especificidades do m\u00e9todo. Ent\u00e3o, acho que fica muito nesse receio de a gente de se aprofundar em coisas que n\u00e3o s\u00e3o pr\u00f3prias nossas, de um m\u00e9todo que \u00e9 russo, que \u00e9 ingl\u00eas, que \u00e9 cubano.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/amzn.to\/3LExy38\"><img loading=\"lazy\" width=\"453\" height=\"646\" src=\"https:\/\/balletempaginas.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Maroca-a-bailaroca.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-482\" srcset=\"https:\/\/balletempaginas.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Maroca-a-bailaroca.jpg 453w, https:\/\/balletempaginas.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Maroca-a-bailaroca-210x300.jpg 210w\" sizes=\"(max-width: 453px) 100vw, 453px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h2>Voc\u00ea tamb\u00e9m \u00e9 autora de <em>Maroca, a Bailaroca, <\/em>livro destinado ao p\u00fablico infantil. Qual \u00e9 o maior desafio em escrever para crian\u00e7as? Como o superou?<\/h2>\n\n\n\n<p>Sobre <em><a href=\"https:\/\/amzn.to\/3LExy38\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Maroca, a Bailaroca<\/a><\/em> eu poderia ficar falando horas aqui. Como eu disse antes, desde pequena eu escrevia e eu sempre gostei de literatura infantil. Na adolesc\u00eancia era uma vergonha, n\u00e9? Quem \u00e9 o adolescente que diz que gosta de livro infantil? Mas eu gostava. Eu ficava relendo todos l\u00e1 de casa. Minha m\u00e3e era coordenadora de educa\u00e7\u00e3o infantil, a vida inteira trabalhou com isso, e ela sempre trazia os livrinhos para casa, para avaliar, e eu sempre queria ler todos, sempre gostei muito. Em paralelo, eu sempre gostei muito do p\u00fablico infantil. Eu amo dar aula para o p\u00fablico infantil. Inclusive, eu comecei a dar aula porque uma coordenadora de escola viu o meu jeito com crian\u00e7a na escola de ballet onde eu fazia aula. Ela disse: &#8220;<em>voc\u00ea poderia ensinar l\u00e1 na escola<\/em>&#8220;, porque eu gosto muito desse universo de crian\u00e7a. Amo, amo, amo crian\u00e7a. Eu sempre tive essa vontade, era meu sonho quando pequena. Faziam aquela pergunta cl\u00e1ssica: &#8220;<em>o que voc\u00ea vai ser quando crescer?<\/em>&#8220;, e eu respondia: &#8220;<em>escritora de livro infanti<\/em>l&#8221;. Minha m\u00e3e dizia: &#8220;<em>voc\u00ea pode ser m\u00e9dica <\/em>e<em> escritora<\/em>, <em>minha filha<\/em>&#8220;, e eu olhava para ela e pensava &#8220;<em>n\u00e3o, eu quero ser escritora de livro infantil<\/em>&#8220;. Isso ficou um pouco guardado em mim. Sempre gostei de escrever, como eu disse. A\u00ed, um belo dia, nem sei te dizer como foi isso, n\u00e3o lembro exatamente desse momento, eu sentei na frente do computador e comecei a escrever a hist\u00f3ria de Maroca. N\u00e3o pensei muito no nome, simplesmente foi <em>Maroca, a Bailaroca<\/em>. Eu tinha essa rela\u00e7\u00e3o numa escola que eu fiz aula. Sempre que uma aluna fazia algo de errado, que era ruim, uma professora dizia que era <em>bailaroca<\/em>. Eu achava isso um absurdo. Ela dizia: &#8220;<em>voc\u00ea est\u00e1 sendo uma <\/em>bailaroca<em>. A bailarina faz assim, a <\/em>bailaroca<em> que faz errado<\/em>&#8220;. Eu achava meio errado isso. A\u00ed, eu quis desmistisficar isso. Eu quis dizer que <em>bailaroca<\/em> pode ser algo bom. O livro fala um pouco disso. A menininha Maroca sofre um bullying porque ela estava entrando no ballet e n\u00e3o sabia muito o que fazer, mas no final ela descobre que ser bailaroca \u00e9 dan\u00e7ar com amor. Todas as experi\u00eancias desse primeiro livro s\u00e3o experi\u00eancias vivenciadas por mim. Tudo. Pode estar um pouco adaptado, mas foram experi\u00eancias que eu vivi, inclusive frases que eu ouvi de professores. A frase final do livro eu ouvi de uma professora. Eu tentei trazer de uma forma l\u00fadica uma desmistifica\u00e7\u00e3o da coisa de que existe um corpo para dan\u00e7ar ballet, de que existe uma necessidade de voc\u00ea se adequar perfeitamente a uma t\u00e9cnica para voc\u00ea dizer que \u00e9 bailarino e dan\u00e7a bem. Eu sempre vi isso muito nos meus alunos. Aquela coisa: &#8220;<em>n\u00e3o posso ser bailarina porque sou gordinha<\/em>&#8221; ou &#8220;<em>n\u00e3o posso ser bailarina porque bailarina \u00e9 loira<\/em>&#8220;. Tudo o que j\u00e1 vivenciei como bailarina e como professora e entendendo a vis\u00e3o que minhas alunas t\u00eam do ballet cl\u00e1ssico eu quis trazer para esse livro. A personagem, a ilustra\u00e7\u00e3o da personagem, n\u00e3o \u00e9 nem um pouco o estere\u00f3tipo da bailarina russa; ela tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o &#8220;fofinha&#8221;, ela tem tra\u00e7os mais grosseiros, e eu passei tudo isso ao ilustrador. Eu disse: &#8220;<em>quero uma menina que todo mundo se identifique<\/em>&#8220;. E \u00e9 lindo ver quando as crian\u00e7as pegam o livro e veem que ela tem um cabelo marrom, um cabelo cacheado, que ela cai na pirueta, que ela n\u00e3o tem muita flexibilidade, mas que no final das contas ela encanta, porque ela dan\u00e7a com amor. Eu passei um pouco por isso. Eu nunca tive o corpo da bailarina. Eu podia ser magrinha, mas n\u00e3o tinha um <em>en dehors<\/em> perfeito, eu n\u00e3o era flex\u00edvel. Eu tive que batalhar muito para cada coisa conquistada no ballet. Eu falo sobre isso no livro, sobre se dedicar, se esfor\u00e7ar, que voc\u00ea consegue. Eu ouvi de uma professora. Ela parou em Nova Iorque a aula, parou o ad\u00e1gio e disse: &#8220;<em>voc\u00ea n\u00e3o tem a perna alta, voc\u00ea n\u00e3o gira muitas piruetas, mas voc\u00ea dan\u00e7a com amor. Voc\u00ea bota paix\u00e3o no que faz<\/em>&#8220;. Eu fiquei morta, com todo mundo olhando para minha cara, e ao mesmo tempo foi uma declara\u00e7\u00e3o de &#8220;<em>voc\u00ea \u00e9 bailarina, sim&#8221;<\/em>. Eu comecei o ballet j\u00e1 muito tarde, ent\u00e3o tinha coisas que eu precisava muito para alcan\u00e7ar, mas eu amava dan\u00e7ar. Ouvir isso de uma professora que foi uma grande bailarina (acho que ela era irlandesa)&#8230;eu quis trazer isso para o universo infantil e tenho amado o <em>feedback<\/em> que as crian\u00e7as est\u00e3o dando.<\/p>\n\n\n\n<h2>Tem planos para escrever outro livro? Um outro sobre as demais metodologias, talvez? (Pedido de uma leitora interessada)<\/h2>\n\n\n\n<p>Eu tenho planos para escrever outros livros, sim. Na verdade, tenho livros j\u00e1 quase prontos. Vou dar um <em>spoiler<\/em> (n\u00e3o sou de falar, mas vou falar): eu estou finalizando um livro sobre did\u00e1tica e planejamento em sala de aula no ballet cl\u00e1ssico. Meu mestrado \u00e9 em Educa\u00e7\u00e3o, eu fiz Forma\u00e7\u00e3o de Professores e Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o Aplicada \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o, mas fiz parte de forma\u00e7\u00e3o de professores tamb\u00e9m. \u00c9 uma \u00e1rea que sou apaixonada tamb\u00e9m, porque trabalho em escola. Eu dei forma\u00e7\u00e3o de professores da \u00e1rea de tecnologia, mas [ainda assim] de forma\u00e7\u00e3o de professores; fiz umas pequenas forma\u00e7\u00f5es com professores de ballet cl\u00e1ssico tamb\u00e9m e sim, tenho esse compilado de escritos que estou organizando para transformar num livro sobre did\u00e1tica e planejamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho tamb\u00e9m um projeto que \u00e9 um produto que eu patenteei para ensino de musicaliza\u00e7\u00e3o para bailarinos. Eu estudei m\u00fasica minha vida inteira e sempre encontrei determinadas dificuldades tanto nos meus colegas bailarinos (eu n\u00e3o conseguia entender como que eles n\u00e3o conseguiam contar a m\u00fasica, porque para mim era uma coisa muito \u00f3bvia; fui percebendo como o ouvido era diferente de quem n\u00e3o tinha estudado m\u00fasica), tanto como professora. Eu tentava passar algumas quest\u00f5es de musicalidade para os meus alunos e eu via que eles n\u00e3o sabiam e n\u00e3o iam entender, porque eles n\u00e3o tinham estudado a teoria musical que eu estudei. Ent\u00e3o, acabei criando uma escrita criativa e uma t\u00e9cnica atrelada a isso para o ensino de musicaliza\u00e7\u00e3o para bailarinos. Eu estou finalizando a plataforma, que vai ser um aplicativo, e vai ter os livros tamb\u00e9m (eles est\u00e3o quase prontos tamb\u00e9m). E Maroca vai ter continuidade. Maroca j\u00e1 tem um pr\u00f3ximo livro escrito. Estou entrando em contato com um ilustrador, porque se Deus quiser ano que vem sai o pr\u00f3ximo de Maroca. \u00c9 isso. Muitos planos.<\/p>\n\n\n\n<h2>Qual \u00e9 a parte mais dif\u00edcil da profiss\u00e3o escritora: escrever, revisar, editar, publicar, divulgar ou vender o livro?<\/h2>\n\n\n\n<p>Puxa, a parte mais dif\u00edcil, para mim, est\u00e1 sendo divulgar. Escrever foi parte de um processo. Flui muito bem para mim a quest\u00e3o da escrita. \u00c9 um neg\u00f3cio que eu gosto de fazer desde sempre. Editar. Eu sou Designer de forma\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o para mim tamb\u00e9m foi tranquilo. Eu, inclusive, quando estudei editora\u00e7\u00e3o, num trabalho da faculdade tive que reeditar um livro de Fl\u00e1vio Sampaio. Refiz ele todinho, s\u00f3 para estudo. O meu TCC de Design foi uma revista de dan\u00e7a. Ent\u00e3o, eu gosto de fazer isso, tenho uma pr\u00e1tica e eu n\u00e3o tive esse problema, porque eu n\u00e3o tive que buscar esse servi\u00e7o por fora, eu mesma fiz. Tanto o de <em><a href=\"https:\/\/amzn.to\/3Ssz1fd\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ballet: m\u00e9todos e corpos<\/a><\/em> como <em><a href=\"https:\/\/amzn.to\/3LNHLKH\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Maroca, a Bailaroca<\/a><\/em>. Publicar, hoje em dia, est\u00e1 bem f\u00e1cil. Eu procurei antes para ver se eu publicava por uma editora, mas n\u00e3o vale a pena hoje em dia, pelas formas que as coisas s\u00e3o feitas, pelas burocracias. Para mim, pelo menos, se encaixou melhor a quest\u00e3o da autopublica\u00e7\u00e3o. Eu preferi fazer a autopublica\u00e7\u00e3o e para mim est\u00e1 dando supercerto. \u00c9 muito bom eu n\u00e3o ter que ter uma tiragem do livro, isso elimina um investimento que a gente tem que ter, de gastar uma grana, comprar um monte de livro para depois tentar vender. Essas plataformas de autopublica\u00e7\u00e3o facilitam bastante, porque a gente pode colocar o arquivo e eles mesmos imprimem e enviam \u00e0 pessoa que comprou. Ent\u00e3o, isso para mim foi f\u00e1cil, muito bom. Agora, divulgar \u00e9 o mais dif\u00edcil. Apesar de eu adorar foto, rede social, n\u00e3o \u00e9 algo que eu goste de fazer, profissionalmente falando. Eu tenho vergonha de falar em v\u00eddeo, n\u00e3o sou muito de ficar gerando conte\u00fado. Eu fiz uma consultoria com uma empresa de marketing e eles pensaram em v\u00e1rias estrat\u00e9gias de divulga\u00e7\u00e3o. &#8220;<em>Ah, n\u00e3o. Isso eu tenho vergonha. Ah, n\u00e3o. Isso \u00e9 mico<\/em>&#8220;. Eu n\u00e3o tenho muito essa desenvoltura. \u00c0s vezes eu vou, gero um monte de conte\u00fado, daqui a pouco eu paro. Agora mesmo, eu estou parad\u00edssima, sem postar nada. Eu tenho essa dificuldade para divulga\u00e7\u00e3o. Eu acabo fazendo a divulga\u00e7\u00e3o no pessoal mesmo. Por exemplo, na escola que eu trabalho, muita gente comprou o livro de Maroca, porque eu estou ali falando, a\u00ed um v\u00ea o outro comprando, a\u00ed eu vou e falo, e quando eu paro para falar do livro, eu me empolgo, as pessoas acabam comprando. Mas assim, divulga\u00e7\u00e3o on-line eu realmente n\u00e3o sei fazer, n\u00e3o sou muito boa. Eu deveria ter algu\u00e9m fazendo por mim, sabe? Mas at\u00e9 para encontrar algu\u00e9m para fazer por mim, para dizer como eu gostaria que a coisa fosse, as pessoas pedem coisas de mim que eu n\u00e3o tenho&#8230;sabe? Ent\u00e3o, \u00e9 isso. A parte mais dif\u00edcil est\u00e1 sendo a divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2>Que mensagem gostaria de deixar aos leitores do seu livro e aos seus leitores indiretos, que tiveram acesso ao conte\u00fado do livro pelo Ballet em P\u00e1ginas?<\/h2>\n\n\n\n<p>A mensagem que eu gostaria de deixar \u00e9: por favor, n\u00e3o tomem meu livro como uma coisa fechada, como um conte\u00fado que \u00e9 o certo, que eu escrevi como sabendo de tudo. Est\u00e1 longe de mim ser isso. \u00c9 um primeiro estudo, a partir das minhas experi\u00eancias, das minhas refer\u00eancias, de professores e aulas que eu tive. Que bom se algu\u00e9m pegasse isso e aprofundasse mais, fosse al\u00e9m e pesquisasse mais e isso fosse reverberando. Como voc\u00ea disse, n\u00e3o tem muita gente escrevendo sobre m\u00e9todos de ballet, principalmente aqui no Brasil, e seria \u00f3timo se o livro se transformasse num incentivo, para que pessoas que, como eu, que gostam de estudar, de escrever, tenham essa coragem tamb\u00e9m de publicar, e que cada vez mais a gente esteja compartilhando informa\u00e7\u00f5es sobre a dan\u00e7a para que a nossa \u00e1rea cres\u00e7a, e de forma s\u00e9ria. \u00c9 muito emocionante e triste: quando cheguei em Nova Iorque, encontrei uma biblioteca inteira e enorme, a <em><a href=\"https:\/\/www.nypl.org\/locations\/lpa\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Performing Arts<\/a><\/em>, que \u00e9 s\u00f3 para arte, e tem um andar inteiro dedicado \u00e0 dan\u00e7a. Corredores com livros sobre estilos de dan\u00e7a, com livros sobre figurino, com livros sobre m\u00fasica. E a gente, aqui no Brasil, n\u00e3o tem nem uma estante mais numa Livraria Cultura. N\u00e3o tem uma estantezinha l\u00e1 com o nome: <em>Dan\u00e7a<\/em>. N\u00e3o tem. \u00c9 uma \u00e1rea que \u00e9 pouco valorizada, realmente. Ent\u00e3o, se cada vez mais pessoas pesquisam, mais pessoas que estudam colocam isso para o mundo de alguma forma, a gente consegue ir crescendo. Ent\u00e3o, a mensagem que eu queria dizer \u00e9 que as pessoas tenham coragem de por seus estudos para fora, para o mundo. Eu demorei 10 anos para ter coragem, mas acabei tendo, e tenho certeza de que isso n\u00e3o \u00e9 nada perto do que a gente ainda pode construir e compartilhar. Que ele [o livro] sirva de incentivo. Espero que sirva de incentivo. O trabalho que voc\u00ea faz com o Instagram j\u00e1 \u00e9 maravilhoso, porque voc\u00ea est\u00e1 reverberando v\u00e1rios conte\u00fados que eu coloquei no livro, e tem pessoas ali debatendo, tem pessoas dizendo: &#8220;<em>que massa, fiz aula assim, vou reparar nisso<\/em>&#8220;. Isso vai gerando um estudo. Tomara que outras pessoas se sintam \u00e0 vontade para debater, compartilhar, escrever e publicar e cada vez a gente crescer mais. \u00c9 isso.<\/p>\n\n\n\n<h3>Gostou da entrevista?<\/h3>\n\n\n\n<p>Adquira os livros de Kamila Cidrim:<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"Ballet: m\u00e9to\">B<\/a><a href=\"https:\/\/amzn.to\/3SiKSgk\">allet: m\u00e9todos e corpos<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/amzn.to\/3LNHLKH\">Maroca, a bailaroca<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Encontre a autora:<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/kamilacidrim\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UC1BuDddp5pTBKZFua9_hftg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">YouTube<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.kamilacidrim.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Site<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m veja o que ela j\u00e1 escreveu sobre o Ballet em P\u00e1ginas <strong><a href=\"https:\/\/www.kamilacidrim.com\/blog\/publicacao\/2042624\/o-que-voc-tem-estudado-al-m-da-dan-a\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aqui<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje o post \u00e9 superespecial! 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